quarta-feira, 20 de junho de 2012

Motivos atendíveis


O professor vigilante só sai se a razão
For, como consta, de "força maior”,
Mas convém analisar bem a situação.
Vejamos (à falta de exemplo melhor):
Se, por acaso, vem a dar ao vigilante
Uma caganeira dita monumental,
A ponto de semelhar descarga de elefante,
Carecerá o caso de um exame racional:
Se a situação for de iminente soltura,
Susceptível de atolar mesmo até ao pescoço,
Como a matéria fecal, obviamente, não é dura,
Logo não exigirá, do vigilante, grande esforço;
Porém, pelo contrário, se o cagalhão for rijo,
Dando ideias de um calhau no baixo ventre,
Então, naturalmente, e como o bom senso exige,
É permitir que o vigilante, da sala, se ausente
E se dirija à latrina ali mais perto,
Devendo apresentar, como prova, ao júri de exame:
Uma foto autenticada, ‘inda que borrada, do recto,
E, por outro lado, e por lei, 1½ kg do merdame!
Provas por de mais concludentes para atestar,
Sem que haja dúvida, e perante seja lá quem for,
Que o vigilante, na verdade, não podia aguentar
E teve mesmo que fazer…a tal “força maior”!


El Rey Ninguém  
(num dia em que se achou solidário com
 i vigilanti degli esami nazionali!)

Nota: imagem retirada de http://headlinelimericks.blogspot.pt/2012/03/trenton-nj-faces-toilet-paper-shortage.html
                                                     

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sai, Câncer!...


A bola serve ao povo de catarse
e, enquanto isso, a própria metástase
sofre, a reboque da crise, seus reveses.
A ordem é: metastizar menos vezes,
não poluir as células em pureza sacramental,
pelo menos até haver folga orçamental
e o país poder ir aos mercados financiar-se.
Até lá, é como eu disse: simplesmente aguentar-se!
Toda e qualquer maleita tem ordem de despejo,
desde logo a começar pelo cancerígeno caranguejo,
o qual terá que ir desovar noutra praia,
já que artrópodes desses, ou doutra laia,
se apresentam, ao político, como um letal veneno,
pois fodem qualquer boa previsão do Governo!
Não há folga orçamental, muito menos almofada,
aliás, bem entendido!, o cidadão c’a saúde debilitada
estabeleça prioridades, faça as suas opções:
ou comprar a aspirina, ou jogar no euromilhões;
o amigo é que sabe: ou o bilhete de autocarro
ou aquelas intragáveis pastilhas contra o catarro.
Faça como o político (que é coisa de louvar):
puxe a gosma do pulmão, cuspa prò ar!
Se o cidadão diabético se quer sentir all right,
chupe rebuçados Bayard, beba produtos light!
Onde já se viu (a lata do cidadão!)
comprar medicamentos o valor três vezes da pensão?!
Isto de viver acima das possibilidades
tem que ver também c’o abuso de enfermidades!
A malta, à mínima coisa que aparece,
entope logo as urgências do SNS -
nem que seja apenas unha do pé encravada,
querem logo a consulta e a receita aviada!
Francamente! Unha encravada? Deixem-se disso!
Qualquer rebarbadora daria conta do serviço.
Ó Ti Raimundo, esqueça a angina de peito,
os bicos de papagaio, ponha-se a andar direito!
Ena, tantos medicamentos! Que vem a ser isto, D. Gertrudes?
Olhe que não precisa, o SNS trata-lhe da saúde…
Medicação? Tome-se, só e apenas, a necessária,
e, já agora, o contacto de uma agência funerária,
não vá o Diabo tecê-las, anda sempre à cata de almas,
e se a Dama de Negro aparece, deixe-se ir nas calmas,
consta que se vai p’ra lugar bem agradável
e, pouco a pouco (até que enfim!), Segurança Social sustentável!
Não há excesso de pensões, só de pensionistas!
Vá, fora, ponham-se a andar, doenças malquistas!
Todo e qualquer cancro, é hora de se erradicar,
Fiquemos apenas c’o cancro parlamentar…

El Rey Ninguém
(gradualmente menos que ninguém,
um quase nada...)

Nota: imagem retirada de http://novosinsolitos.blogspot.pt/2012/04/cientistas-descobrem-especie-de.html